O que é Responsabilidade Social?
Não há um consenso geral quando se trata de tangibilizar o conceito de Responsabilidade Social. Normalmente está relacionado à idéia de que Responsabilidade Social diz respeito ao cumprimento dos deveres e obrigações dos indivíduos e empresas para com a sociedade em geral.
De fato os deveres e obrigações dos indivíduos e empresas ("agentes") perante a sociedade são muitos a serem pontuados, o que faz com que as ações voltadas para esse devido fim têm inúmeras possibilidades; isso torna a intangibilidade do conceito Responsabilidade Social conseqüente à sua amplitude interpretativa.
Exemplo de interpretação sobre Responsabilidade Social:
-Forma de retribuir a alguém, por algo alcançado ou permitido, modificando hábitos e costumes ou perfil do sujeito ou local que recebe o impacto.
Qual a diferença entre Responsabilidade Social e Responsabilidade Social Corporativa?
Ainda há muito questionamento sobre qual o termo correto a ser utilizado em se tratando do conceito de "devolução à sociedade". Isso se deve ao fato de que o ideal defendido é relativamente recente, ainda não estando completamente difundido na cultura social em geral.
O termo "Responsabilidade Social" se deve à definição de "retribuição à sociedade".
Já o termo "Responsabilidade Social Corporativa" é a inserção da ideologia/conceito de R.S. dentro das organizações.
O que são ações de Responsabilidade Social? Ações de Responsabilidade Social, como citado acima, são ações dos “agentes econômicos” na sociedade que visam cumprir seus deveres e obrigações perante a mesma. Dessa maneira, qualquer ação que vise o bem da sociedade como um todo, ou algum grupo segmentado dela, terá aspectos de Responsabilidade Social.
Mas, o que significa a inserção deResponsabilidade Social Corporativa?
Como vimos, existem inúmeras possibilidades de ação que tangem a Responsabilidade Social. Porém, a Responsabilidade Social Corporativa só existe uma vez que a ideologia do conceito está sendo defendida como pré-requisito das ações da organização.
Isso significa que, uma vez que a organização tem ações com aspectos de Responsabilidade Social, não pode ser levada como uma empresa que tem difundida em sua gestão a Responsabilidade Social Corporativa. Como veremos mais adiante, muitas empresas adotam tal postura por fins de maior impacto/imagem perante os Stakehoders; o que faz com que sejam classificadas como empresas de Green Wash.
Por fim, o objetivo final das empresas deve ser a inserção completa do conceito/ideologia de R.S. de forma perene na organização. Só assim os Stakeholders a reconhecerão de forma legítima como empresa com Responsabilidade Social Corporativa.
Responsabilidade Social, o Mercado e o Green Wash Uma vez que o conceito de Sustentabilidade está sendo difundido na sociedade humana como um todo, a ideologia por trás do termo “Responsabilidade Social” está chamando muita atenção por todos os agentes econômicos e indivíduos nela atuantes.
O termo Sustentabilidade pressupõe bom desempenho no “Triple-Bottom-Line” (para ser sustentável, a empresa deve ter Viabilidade Financeira, prezar com Ações Ambientalmente Ativas e ser Socialmente Ética/Responsável).
Portanto, o foco das organizações nos pilares diferentes do Financeiro tem aumentado drasticamente.
Isso faz com que o Mercado(empresarial em todo o mundo) como um todo comece a “cobrar” ao longo das cadeias produtivas o conceito de Sustentabilidade; e, como conseqüência, o de Responsabilidade Social.
Os Stakeholders das organizações estão começando a notar a importância de serem atrelados a empresas que focam o Triple-Bottom-Line; uma vez que começa a se tornar Estratégico seguir essa linha de raciocínio para manter-se no Mercado (cada vez mais competitivo).
Portanto, as empresas começaram a tentar “vender” o conceito de Triple-Bottom-Line a seus Stakeholders sem necessariamente terem ações efetivas ou terem plena consciência organizacional/cultura dentro da gestão de modo que legitimasse a utilização do conceito pelas mesmas.
Essa prática de tentar “vender” a seus Stakeholders que a empresa preza pelo Triple-Bottom-Line foi chamada de Green Wash.
Podemos concluir que, estrategicamente, para se ter sucesso no mercado onde os Stakeholders estão cada vez mais cobrando Sustentabilidade (e como conseqüência a Responsabilidade Social Corporativa), as organizações devem inserir de fato o conceito nas organizações; terem implementado a ideologia de forma perene em sua estrutura.
Desenvolvimento
Agora, como inserir RS nas organizações? Uma vez que para se ter cada vez mais sucesso e pensar em Sustentabilidade e principalmente Responsabilidade Social de forma estratégica, a empresa deve prezar por muitos fatores.
Inserir RS em uma organização não significa começar a adotar práticas socialmente responsáveis. Isso significa que a total inserção do conceito nas organizações pressupõe não somente processos ou iniciativas que tangem a iniciativa; mas também toda uma cultura e mentalidade por trás de cada ação.
Algumas empresas têm iniciativas no âmbito social, desde apoio a grupos minotários até cotas de minorias desfavorecidas em cargos na própria organização. Porém, o fato de ser Socialmente Responsável pode ser traduzido como a empresa usar seu papel como agente econômico atuante para gerar sinergia nas relações sociais da economia em que está iserido.
Isso significa que as empresas devem prezar não só em "dar o peixe" como também em "ensinar a pescar". É dever dos agentes econômicos (empresas, grupos de trabalho, governo, etc.) ter ações que visam bem-estar da sociedade como um todo, provendo-lhe recursos de tal modo a desenvolver a comunidade por inteira.
Assim, uma iniciativa que prevê, por exemplo, envio de cestas básicas não-utlizadas pela empresa para uma comunidade local carente (uma vez que as mesmas estão previstas legamente), têm infundada aspectos socialmente responsáveis. O principal ponto desse discurso é que as ações de Responsabilidade Social têm grande abrangência; e devem ser direcionadas a fim de desenvolver o local.
Ao invés de patrocinar um esporte praticado por um time de minoria desfavorecida, mais vale ajudar uma comunidade local e capacitação profissional (por exemplo), de tal modo que o conhecimento ajudará os capacitados a terem melhores condições de vida, além de multiplicarem esse conhecimento dentro da comunidade, criando uma cultura que permeará gerações. Portanto, uma vez que visa-se o desenvolvimento social, a Responsabilidade Social estará sendo cumprida.
Conclusão
O fator que agrega quando se trata de Responsabilidade Social é a inserção estratégica do conceito na empresa. Isso significa que a empresa não deve simplesmente adotar iniciativas socialmente responsáveis, mas ter plena consciência da relevância do conceito e seus impactos como agente econômico em uma determinada sociedade.
Portanto, deve haver Cultura dentro das organizações que prezem pelo conceito de RS, a fim de se implementar profundamente na gestão a responsabilidade que cada empresa leva por ser agente econômico.
Esse movimento visando a Sustentabilidade está começando a ser inserido nas empresas, o que faz com que os conceitos de RS (um dos três pilares) estejam cada vez mais perenes na organização; principalmente em altos cargos hierárquicos.
O fator de ser em altos cargos hierárquicos é o que garante a plena implementação do conceito; uma vez que qualquer mudança de cultura na organização deve ser levada pelo modo "top-down" (da diretoria executiva para baixo) a fim de ser permeada completamente.
Além de um fator importante no sentido estratégico de participação de mercado e reconhecimento de Stakeholders ao longo de toda a cadeia operacional das organizações, a inserção de Responsabilidade Social Corporativa nas empresas é algo que desenvolve a sociedade como um todo, contribuindo para a evolução da comunidade em torno desses próprios agentes econômicos.
Porém, o reconhecimento por parte dos Stakeholders não deve ser o fim/objetivo a ser buscado pela empresa; a Responsabilidade Social estará completamente inserida quando o objetivo final da organização for o desenvolvimento social da comunidade/sociedade em que é agente econômico, fazendo do reconhecimento dos Stakeholders uma consequência de suas ações.
Instituto Ethos http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/Default.aspxO Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização sem fins lucrativos, caracterizada como Oscip (organização da sociedade civil de interesse público). Sua missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável
O texto do Grupo 5 sobre Sensemaking se mostra muito interessante. Ele explicita o modo pelo qual a alta hierarquia organizacional procura sentido na gestão e agentes diretos na empresa, para formular uma estratégia/cultura empresarial alinhada e enfim comunicá-la novamente aos Stakeholders e agentes.
Isso significa que qualquer mudança cultural nas organizações pode ser melhor implementada se levada em consideração junto ao Sensemaking. Mudanças culturais costumam ser muito complicadas de serem aderidas pela gestão nas empresas. Isso se deve ao fato de que uma vez "acostumados" e inseridos em algum aspecto cultural, os indivíduos já acharão comum e darão sentido às atividades envolvidas nesse aspecto cultural. Uma vez alterada a Cultura, os indivíduos não mais verão as atividades com consonância com a Estratégia da empresa ou com sentido de serem realizadas. Portanto, cabe a difusão da nova Cultura na gestão através do Sensegiving aos altos executivos (difusão"top-down").
Um exemplo a ser relacionado ao tema é aResponsabilidade Social.
Como explicitado na página de Responsabilidade Social, o conceito é um dos pilares da Sustentabilidade. A sustentabilidade está começando a ser difundida no mercado empresarial como um todo, de tal modo que as organizações começam a perceber não só a importância estratégica da inserção do conceito como também a importância existencial e causal por trás das atividades nele envolvidas.
Dessa maneira, a inserção de Responsabilidade Social nas empresas (RS Corporativa) deve ser levada não somente por iniciativas, mas o conceito deve ser permeado de forma consciente em todos os níveis estratégicos da organização.
A inserção de RS nas empresas, por estar ainda em período inicial, costuma enfrentar muitas dificuldades; uma vez que ainda não há Cultura dentro das organizações de modo a sustentar/ embasar a própria inserção de forma completa. Os indivíduos ainda não entendem o que significa a inserção de RS nas empresas, e, como não há inserção sem consciência tomada, as organizações acabam por começar a simplesmente adotar práticas socialmente responsáveis; o que, por definição, não é ter Responsabilidade Social Corporativa.
Uma vez que a RSC se dá quando os agentes econômicos desenvolvem a comunidade/sociedade de forma sustentável, ela só será existente em uma organização quando todas as atividades da gestão tiverem fundadas nos princípios que a regem. Isso significa uma mudança Cultural muito brusca, tendo em vista que o conceito é novo no mercado.
Por isso é importante utilizar do Sensemaking para inserir a Responsabilidade Social nas empresas.
Uma vez que é um grande impacto cultural inserir o conceito dentro da empresa, o Sensemaking poderá criar sentido à importância estratégica e existencial da iniciativa dentro da organização; além de comunicá-la a todos os Stakeholders e agentes envolvidos com a empresa.
Dessa maneira, analisa-se que se a inserção de RS nas empresas é de fato a conscientização e criação de cultura dentro da gestão que permeie e se fundamente no conceito, deve-se utilizar do Sensemaking como ferramenta para criar e dar sentido à inicitiva em qualquer organização, uma vez que somente dessa maneira que haverá a inserção de fato.
Como mudanças culturais têm como pré-disposição iniciativas"top-down" (alta hierarquia estratégica criar sentido ao resto da gestão),o sensemaking traduz a maneira como a inserção de Responsabilidade Social deve ser feito nas empresas de modo a atingir seu principal objetivo: conscientização e difusão.
NOVA CONTRIBUIÇÃO, DATA 09/06/2010, GRUPO 12
O grupo, que é responsável por ÉTICA considerou interessante trazer uma colaboração a um tema tão recorrente atualmente que é a responsabilidade social. Para isso, pesquisamos sobre empresas que tem ações socialmente responsáveis e também lidem bem com questões éticas e selecionamos a FORD como exemplo.
HISTÓRIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DA FORD
O grupo Ford Motor Company, fundado em 1903 por Henry Ford, é constituído hoje pelas empresas Lincoln, Mercury, Mazda, Volvo e Troller, além da marca Ford, sendo uma das maiores montadoras do mundo. Presente no Brasil desde 1920, a Ford é a mais antiga montadora instalada no país. Mais do que produzir veículo de qualidade, a Ford quer ser percebida pelo consumidor como uma empresa socialmente responsável que contribui em todos os aspectos de suas atividades com a melhoria da qualidade de vida e o bem estar da comunidade. Desta forma, a Ford Brasil busca consolidar internamente o conceito de responsabilidade social.
Desde 1992 já existe o comitê de cidadania dos trabalhadores da Ford, destacando-se pelas ações comunitárias. Em 1999, houve a criação de um comitê gerencial, com representação de todas as áreas da companhia, para discutir e ampliar ações de responsabilidade social que aconteciam informalmente na empresa.
A criação desse comitê conseguiu centralizar as informações sobre os programas sociais, além de dar mais formalidade aos trabalhos que viriam a ser realizados. Desta forma, em 2001, a empresa deu um segundo importante passo, a criação da gerência de responsabilidade social, com o intuito das ações continuarem próximas dos funcionários e presentes no dia a dia organizacional.
Juntamente com a criação da gerência, a diretoria da Ford optou por formatar também um conselho de responsabilidade social, instalado em abril de 2001, com o objetivo de orientar a aplicação dos investimentos da empresa no campo social.
Evidencia-se que a gerência percebe uma forte pressão da sociedade para que a empresa assuma novos papéis. Dessa forma percebe-se que os indicadores financeiros não são mais exclusivos para determinar a excelência de uma empresa. Novos fatores como, no caso da Ford, envolvimento social e ambiental, também se tornaram importantes. Vemos então que a Ford Brasil vem efetivando em suas atividades um amplo conjunto de políticas e práticas gerenciais que perpassam por várias operações de negócios de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável tanto da empresa quanto da sociedade.
Algumas dessas ações que expressam o novo paradigma podem se encontradas na certificação dos processos produtivos superando as regulamentações ambientais, reciclagem de materiais de consumo interno, diversidade na contratação de pessoal, transparência na comunicação com a mídia, política de segurança além da legislação e no nível de emissão de poluentes e uso de materiais tóxicos abaixo do permitido pelas leis brasileiras.
A Ford é a única empresa automobilística no Brasil a fazer parte do GHG Protocol (Green House Gas Protocol). O grupo, formado em função do Protocolo de Kyoto, tem como objetivo criar uma forma de inventariar o grau de gases de efeito estufa gerado nos processos produtivos e traçar metas para a sua redução. Um dos objetivos prioritários das fábricas no Brasil é a minimização do consumo de utilidades - água, energia elétrica e gás natural -, área em que tem alcançado sucessivos progressos. Nos últimos quatro anos, a Ford conseguiu reduzir em 10% o consumo de energia elétrica, em 22,5% o consumo de água e em 43% o consumo de gás natural por cada veículo produzido. Ao mesmo tempo, a geração de resíduos em todo o processo ficou 34% menor.
ATUAÇÕES DA FORD NOS ÚLTIMOS ANOS
Recentemente, a empresa ainda mantém sua preocupação ambiental, “a Ford acredita que o desenvolvimento sustentável é essencial à manutenção da atividade industrial”, segundo seu site. No ano de 2009, publicou um relatório ambiental, em que expôs seus feitos em prol da responsabilidade social nesse ano; tais como a adoção do Carbono Neutro na Copa Troller, assim, neste ano, as emissões de carbono foram neutralizadas pelo plantio de árvores no Paraná – esse é o primeiro rali do Brasil a tomar tal atitude; também citamos a construção do reservatório de amortecimento RC1 4a Ford Fábrica, em área fornecida pela própria Ford; além da adoção de nova tecnologia na fábrica de São José dos Campos, com uma nova máquina na área de pintura capaz de eliminar 99% das partículas em suspensão, liberando apenas vapor de água e menos de 1% de gás carbônico. As fábricas no exterior seguem o mesmo modelo de percepção da responsabilidade social como necessária:
Considerando a educação da sociedade, a Ford promoveu um encontro com educadores da MOVA - Movimento de Alfabetização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -, para uma apresentação sobre preservação ambiental, além do patrocínio de 25 salas de aula para alfabetizar 350 alunos. Não só no Brasil, iniciativas como essa são expandidas por todo o mundo, como pode ser visto pelo vídeo abaixo:
Ao se referir ao meio-ambiente, é lembrado, ainda, suas iniciativas de florestamento iniciado este ano, e de reflorestamento, desde 2008. Há, ainda, o Centro de Educação Ambiental, para produzir mudas nativas e ornamentais, que, ligado à educação, ainda promove visitas com intuito de educação ambiental. Há, ainda, no Porto da Ford, Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, o monitoramento da Biota Aquática, analisando os animais lá viventes, além de amostras de água para associar a tais dados. Tais iniciativas também se estendem ao exterior: “Ford is working with the LA County Lifeguards to provide a fleet of customized Hybrid Escape vehicles designed specifically for their needs — helping to make LA area beaches a little greener and some lifesavers very happy”:
Internamente à empresa, foi implantado em 2009, o Sistema de Gestão Ambiental, com documentos estimulando a gestão ambiental, para controle do consumo de água, energia e monitoramento da emissão de resíduos.
No desenvolvimento de seus veículos, ressaltamos o Liquid Wood (madeira líquida), material obtido a partir de resíduos de madeira, que pode ser moldado em diferentes formas e reciclado até cinco vezes, a empresa tem a pretensão de aumentar as fontes renováveis na produção dos veículos. Ou, também, o que chamamos de “Drive Gree. Drive Ford”, explicado e exemplificado pelos vídeos a seguir:
Citamos, ainda, como são inúmeras as iniciativas da Ford, em prol da responsabilidade social, surgiu o programa Greener Miles, “que permitirá aos seus clientes investir em projetos de energia “limpa” para neutralizar o dióxido de carbono que seus próprios carros emitem na atmosfera”.
Podemos referir como iniciativa da Ford, ainda, o Prêmio Ford de Conservação Ambiental, existente há 14 anos, orgulho da empresa, que “elege todo o tipo de iniciativa bem sucedida voltada à preservação do meio ambiente que sirva como modelo inovador e replicável no Brasil”.
Em paralelo a tais atitudes responsáveis da Ford, a empresa teve um faturamento considerável, de R$2,7 bi, o maior desde 2005, indo contra uma história recente de resultados negativos de anos anteriores que vinha comprometendo as montadoras. Fato é que a empresa tem crescido em vendas e em parcela do mercado.
A RELAÇÃO ÉTICA
Como visto acima, um grande número de empresas passou a adotar ações éticas e sustentáveis, isso pode ocorrer em decorrência ou concomitante a mudanças significativas das práticas de compras; desta forma, a demanda movimentaria a oferta. Algumas empresas que dispõe de maior capital disponível conseguem, neste sentido, arcar com maiores custos em investimentos que visem à melhoria e a prevenção de possíveis problemas éticos que possam ocorrer no ambiente em que se inserem, ações muitas vezes previstas em leis; entretanto, tais ações podem prejudicar sua atuação no mercado, privando-a de diversas outras atividades e causando uma defasagem da mesma em relação àquelas que trabalham na ilegalidade.
Guiado por tais ideais de ética e responsabilidade social, empresas do Varejo recentemente se uniram para formar o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) o qual entra numa luta constante para combater a ilegalidade, além de cuidar da conscientização de todos seus associados e colaboradores em relação a ações sociais que possam trazer benefícios à sociedade.
A luta do Instituto, porém, ainda não pôde ser completamente concretizada, visto que muitas de suas aspirações pressupõem ações tributáveis, de modo a desestimular a concorrência ilegal; neste sentido, muitas empresas de pequeno porte não têm como suportar os custos da responsabilidade social sem se prejudicar, o que as leva a manter práticas que ilegais, danosas à sociedade e custosas à população.
Conforme visto em classe, e comentado nas contribuições anteriores, o conceito de Responsabilidade Social tem sido amplamente implementado nas empresas, ou, pelo menos, é isso que muitas das organizações querem que seu público pense. Utilizar da imagem ecologicamente correta traz à empresa, certamente, benefícios para sua imagem, porém, a realidade nessas organizações pode ser outra daquela que querem mostrar.
O Greenwash é o termo utilizado para tal prática. O termo vem da das palavras green e whitewash em inglês, sendo que a segunda palavra significa uma espécie de tinta de má qualidade e barata que os americanos usam para pintar a fachada das casas. Essa analogia pode dizer muito sobre tal prática; muitas empresas utilizam de argumentos ecologicamente corretos para certos atributos e omitem outras práticas que prejudicam o meio ambiente, além de muitas vezes explorarem a ignorância do consumidor sobre o tema.
O conceito de Greenwash foi muito bem explicado pela reportagem da Época Negócios com o título Verde de Mentira. O artigo trata o conceito do assunto de maneira muito interessante e pode ser acessado pelo link abaixo. //Época Negócios//
Os 10 piores “Greenwashers” do mundo
Existem grupos na internet que se dedicam a tratar do assunto. A página a ser sugerida a seguir mostra algumas empresas que se mostram contraditórias nos conceitos de Responsabilidade Social. Essa é uma das reportagens do site que contesta as propagandas divulgadas nos meios de comunicação mais tradicionais. O título original da reportagem se chama “Calling ‘em Out: The World’s 10 Worst Greenwashers”.
Para acessar a página, basta entrar no link a seguir:
Conforme visto, a página acima mostra alguns exemplos da utilização do termo. A contribuição anterior colocou vários exemplos positivos de Responsabilidade Social da Ford e inclusive coloca um site elaborado pela Ford para sustentar tal idéia, o que realmente pode-se dizer como algo extremamente benéfico para a imagem da marca, porém, existem refutações que dizem respeito à Ford. Dessa forma, vale fazer a citação de um texto publicado em um site sobre tal assunto.
“In an advertisement in National Geographic magazine in 2004, Ford Motor Company tried to convince readers of its commitment to the environment by announcing the launch of the Escape Hybrid SUV and the remodeling its River Rouge factory. One print ad read, "Green vehicles. Cleaner factories. It's the right road for our company, and we're well underway." What Ford failed to tell readers is that it only planned on producing 20,000 of its Hybrid SUVs per year, while continuing to produce almost 80,000 F-series trucks per month. Moreover, just prior to the campaign's release, the Environmental Protection Agency announced that Ford had the worst fleet wide fuel economy of all major automakers. Ford's failure to live up to its environmentally friendly image earned the company first prize among America's//top ten worst greenwashers//of the year.” (Retirado de//http://www.businessethics.ca/greenwashing///; acessado em 11 de junho de 2010).
Como conclusão sobre o assunto, vale dizer que empresas que exercem a prática do Greenwash tendem a perder muito de sua reputação no mercado. Ironicamente, embora o objetivo da empresa seja justamente o contrário, os benefícios para a empresa só duram até que descubram o real saldo da empresa para o meio ambiente. Ademais, o fato de enganar os clientes perde muita da credibilidade da marca. Por conseguinte, tal prática não se mostra benéfica para a organização no longo prazo e, quando descoberta, muitos gastos devem ser incorridos para reparar o estrago feito na imagem da empresa.
NOVA CONTRIBUIÇÃO, 11/06/2010, GRUPO 15
Sustentabilidade: tendência sustentável?
A fundamentação da descrença de muitos a respeito do real desejo das organizações serem sustentáveis baseia-se no fato de que muitas ações trabalhadas e praticadas pelas empresas são pouco profundas ou mesmo insustentáveis em longo prazo. O exemplo típico da questão é recente e bastante irônico: a crise financeira abalou estruturas e a sustentabilidade desapareceu das principais questões discutidas. A ironia está no fato de, anteriormente ao fato, o principal tema em pauta era a sustentabilidade, e a causa de toda a crise foi baseada em atitudes e ações pouco sustentáveis que visavam maximizar um resultado no curto prazo – expansão desordenada do crédito a emprestadores arriscados a altas taxas de juros.
Hoje, de que sustentabilidade se precisa? Daquela voltada a atingir consumidores finais balançados por um medo global de catástrofe ambiental? Que fundamentação buscaria uma empresa para lançar de tal estratégia mercadológica? Posicionar seria uma ótima resposta a essa questão. Identificar o perfil de seus consumidores e agir de acordo com sua estratégia global seria a decisão mais sensata dos tomadores de decisão dentro das empresas. De acordo com pesquisas de especialistas em branding, a desconfiança nas empresas é um fator crucial que afeta a decisão de compra e faz uma marca mais forte que outra. A manutenção da confiança do consumidor está altamente atrelada a consistência nas ações e objetivos de uma empresa. Dessa forma, diferenciar-se nem sempre é pelo caminho da moda – sustentabilidade – porque os motores das almejadas receitas crescentes – os consumidores – absorvem inconsistências e isso faz a empresa perder pontos ao invés de ganhar.
Então existiria empresa sustentável? Uma possível esperança está num exemplo brasileiro de sucesso e inovação. A empresa Brasilata, fabricante de produtos metálicos e reconhecida internacionalmente por inovações, manteve-se durante a última crise com desempenho razoável e não se valeu de demissões ou corte custos para equilibrar-se. Pelo contrário. Ela continuou com seus investimentos e as despesas com funcionários foram SUSTENTADAS por um fundo que durante anos acumulou provisões para crises. As concorrentes bastantes "sustentáveis" cortaram custos mercadológicos inúteis - que para elas eram investimentos em sustentabilidade - e fizeram demissões em massa. Ou seja, à imensa maioria superficial, restou a incoerência no discurso.
Ser sustentável é aliar a viabilidade econômica com aspectos sociais e ambientais. Logo, percebe-se que esse conceito é pouco conhecido, uma vez que a associação imediata é com o assistencialismo ou com ambientalistas radicais. Sustentabilidade é, muito mais do que uma tendência como a percebida antes da crise, uma estratégia fortíssima para a empresa que deseja se estabelecer a longo prazo e obter resultados consistentes para seus acionistas.
Bibliografia: palestras presidente da Brasilata, Antonio Teixeira
Introdução
O que é Responsabilidade Social?
Não há um consenso geral quando se trata de tangibilizar o conceito de Responsabilidade Social. Normalmente está relacionado à idéia de que Responsabilidade Social diz respeito ao cumprimento dos deveres e obrigações dos indivíduos e empresas para com a sociedade em geral.
De fato os deveres e obrigações dos indivíduos e empresas ("agentes") perante a sociedade são muitos a serem pontuados, o que faz com que as ações voltadas para esse devido fim têm inúmeras possibilidades; isso torna a intangibilidade do conceito Responsabilidade Social conseqüente à sua amplitude interpretativa.
Exemplo de interpretação sobre Responsabilidade Social:
-Forma de retribuir a alguém, por algo alcançado ou permitido, modificando hábitos e costumes ou perfil do sujeito ou local que recebe o impacto.
Qual a diferença entre Responsabilidade Social e Responsabilidade Social Corporativa?
Ainda há muito questionamento sobre qual o termo correto a ser utilizado em se tratando do conceito de "devolução à sociedade". Isso se deve ao fato de que o ideal defendido é relativamente recente, ainda não estando completamente difundido na cultura social em geral.
O termo "Responsabilidade Social" se deve à definição de "retribuição à sociedade".
Já o termo "Responsabilidade Social Corporativa" é a inserção da ideologia/conceito de R.S. dentro das organizações.
O que são ações de Responsabilidade Social?
Ações de Responsabilidade Social, como citado acima, são ações dos “agentes econômicos” na sociedade que visam cumprir seus deveres e obrigações perante a mesma. Dessa maneira, qualquer ação que vise o bem da sociedade como um todo, ou algum grupo segmentado dela, terá aspectos de Responsabilidade Social.
Mas, o que significa a inserção de Responsabilidade Social Corporativa?
Como vimos, existem inúmeras possibilidades de ação que tangem a Responsabilidade Social. Porém, a Responsabilidade Social Corporativa só existe uma vez que a ideologia do conceito está sendo defendida como pré-requisito das ações da organização.
Isso significa que, uma vez que a organização tem ações com aspectos de Responsabilidade Social, não pode ser levada como uma empresa que tem difundida em sua gestão a Responsabilidade Social Corporativa. Como veremos mais adiante, muitas empresas adotam tal postura por fins de maior impacto/imagem perante os Stakehoders; o que faz com que sejam classificadas como empresas de Green Wash.
Por fim, o objetivo final das empresas deve ser a inserção completa do conceito/ideologia de R.S. de forma perene na organização. Só assim os Stakeholders a reconhecerão de forma legítima como empresa com Responsabilidade Social Corporativa.
Responsabilidade Social, o Mercado e o Green Wash
Uma vez que o conceito de Sustentabilidade está sendo difundido na sociedade humana como um todo, a ideologia por trás do termo “Responsabilidade Social” está chamando muita atenção por todos os agentes econômicos e indivíduos nela atuantes.
O termo Sustentabilidade pressupõe bom desempenho no “Triple-Bottom-Line” (para ser sustentável, a empresa deve ter Viabilidade Financeira, prezar com Ações Ambientalmente Ativas e ser Socialmente Ética/Responsável).
Portanto, o foco das organizações nos pilares diferentes do Financeiro tem aumentado drasticamente.
Isso faz com que o Mercado(empresarial em todo o mundo) como um todo comece a “cobrar” ao longo das cadeias produtivas o conceito de Sustentabilidade; e, como conseqüência, o de Responsabilidade Social.
Os Stakeholders das organizações estão começando a notar a importância de serem atrelados a empresas que focam o Triple-Bottom-Line; uma vez que começa a se tornar Estratégico seguir essa linha de raciocínio para manter-se no Mercado (cada vez mais competitivo).
Portanto, as empresas começaram a tentar “vender” o conceito de Triple-Bottom-Line a seus Stakeholders sem necessariamente terem ações efetivas ou terem plena consciência organizacional/cultura dentro da gestão de modo que legitimasse a utilização do conceito pelas mesmas.
Essa prática de tentar “vender” a seus Stakeholders que a empresa preza pelo Triple-Bottom-Line foi chamada de Green Wash.
Podemos concluir que, estrategicamente, para se ter sucesso no mercado onde os Stakeholders estão cada vez mais cobrando Sustentabilidade (e como conseqüência a Responsabilidade Social Corporativa), as organizações devem inserir de fato o conceito nas organizações; terem implementado a ideologia de forma perene em sua estrutura.
Desenvolvimento
Agora, como inserir RS nas organizações?
Uma vez que para se ter cada vez mais sucesso e pensar em Sustentabilidade e principalmente Responsabilidade Social de forma estratégica, a empresa deve prezar por muitos fatores.
Inserir RS em uma organização não significa começar a adotar práticas socialmente responsáveis. Isso significa que a total inserção do conceito nas organizações pressupõe não somente processos ou iniciativas que tangem a iniciativa; mas também toda uma cultura e mentalidade por trás de cada ação.
Algumas empresas têm iniciativas no âmbito social, desde apoio a grupos minotários até cotas de minorias desfavorecidas em cargos na própria organização. Porém, o fato de ser Socialmente Responsável pode ser traduzido como a empresa usar seu papel como agente econômico atuante para gerar sinergia nas relações sociais da economia em que está iserido.
Isso significa que as empresas devem prezar não só em "dar o peixe" como também em "ensinar a pescar". É dever dos agentes econômicos (empresas, grupos de trabalho, governo, etc.) ter ações que visam bem-estar da sociedade como um todo, provendo-lhe recursos de tal modo a desenvolver a comunidade por inteira.
Assim, uma iniciativa que prevê, por exemplo, envio de cestas básicas não-utlizadas pela empresa para uma comunidade local carente (uma vez que as mesmas estão previstas legamente), têm infundada aspectos socialmente responsáveis. O principal ponto desse discurso é que as ações de Responsabilidade Social têm grande abrangência; e devem ser direcionadas a fim de desenvolver o local.
Ao invés de patrocinar um esporte praticado por um time de minoria desfavorecida, mais vale ajudar uma comunidade local e capacitação profissional (por exemplo), de tal modo que o conhecimento ajudará os capacitados a terem melhores condições de vida, além de multiplicarem esse conhecimento dentro da comunidade, criando uma cultura que permeará gerações. Portanto, uma vez que visa-se o desenvolvimento social, a Responsabilidade Social estará sendo cumprida.
Conclusão
O fator que agrega quando se trata de Responsabilidade Social é a inserção estratégica do conceito na empresa. Isso significa que a empresa não deve simplesmente adotar iniciativas socialmente responsáveis, mas ter plena consciência da relevância do conceito e seus impactos como agente econômico em uma determinada sociedade.
Portanto, deve haver Cultura dentro das organizações que prezem pelo conceito de RS, a fim de se implementar profundamente na gestão a responsabilidade que cada empresa leva por ser agente econômico.
Esse movimento visando a Sustentabilidade está começando a ser inserido nas empresas, o que faz com que os conceitos de RS (um dos três pilares) estejam cada vez mais perenes na organização; principalmente em altos cargos hierárquicos.
O fator de ser em altos cargos hierárquicos é o que garante a plena implementação do conceito; uma vez que qualquer mudança de cultura na organização deve ser levada pelo modo "top-down" (da diretoria executiva para baixo) a fim de ser permeada completamente.
Além de um fator importante no sentido estratégico de participação de mercado e reconhecimento de Stakeholders ao longo de toda a cadeia operacional das organizações, a inserção de Responsabilidade Social Corporativa nas empresas é algo que desenvolve a sociedade como um todo, contribuindo para a evolução da comunidade em torno desses próprios agentes econômicos.
Porém, o reconhecimento por parte dos Stakeholders não deve ser o fim/objetivo a ser buscado pela empresa; a Responsabilidade Social estará completamente inserida quando o objetivo final da organização for o desenvolvimento social da comunidade/sociedade em que é agente econômico, fazendo do reconhecimento dos Stakeholders uma consequência de suas ações.
Links Interessantes
ISO 26000
http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp
A ISO 26000 será a norma internacional de Responsabilidade Social e está prevista para ser concluída em 2010
Instituto Ethos
http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/Default.aspxO Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização sem fins lucrativos, caracterizada como Oscip (organização da sociedade civil de interesse público). Sua missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável
Vídeo sobre Responsabilidade Social
BIBLIOGRAFIA
TEXTO INTEGRATIVO - GRUPO 10 - 09/06/2010
(Sensemaking + Responsabilidade Social)
LINK
O texto do Grupo 5 sobre Sensemaking se mostra muito interessante. Ele explicita o modo pelo qual a alta hierarquia organizacional procura sentido na gestão e agentes diretos na empresa, para formular uma estratégia/cultura empresarial alinhada e enfim comunicá-la novamente aos Stakeholders e agentes.
Isso significa que qualquer mudança cultural nas organizações pode ser melhor implementada se levada em consideração junto ao Sensemaking. Mudanças culturais costumam ser muito complicadas de serem aderidas pela gestão nas empresas. Isso se deve ao fato de que uma vez "acostumados" e inseridos em algum aspecto cultural, os indivíduos já acharão comum e darão sentido às atividades envolvidas nesse aspecto cultural. Uma vez alterada a Cultura, os indivíduos não mais verão as atividades com consonância com a Estratégia da empresa ou com sentido de serem realizadas. Portanto, cabe a difusão da nova Cultura na gestão através do Sensegiving aos altos executivos (difusão "top-down").
Um exemplo a ser relacionado ao tema é a Responsabilidade Social.
Como explicitado na página de Responsabilidade Social, o conceito é um dos pilares da Sustentabilidade. A sustentabilidade está começando a ser difundida no mercado empresarial como um todo, de tal modo que as organizações começam a perceber não só a importância estratégica da inserção do conceito como também a importância existencial e causal por trás das atividades nele envolvidas.
Dessa maneira, a inserção de Responsabilidade Social nas empresas (RS Corporativa) deve ser levada não somente por iniciativas, mas o conceito deve ser permeado de forma consciente em todos os níveis estratégicos da organização.
A inserção de RS nas empresas, por estar ainda em período inicial, costuma enfrentar muitas dificuldades; uma vez que ainda não há Cultura dentro das organizações de modo a sustentar/ embasar a própria inserção de forma completa. Os indivíduos ainda não entendem o que significa a inserção de RS nas empresas, e, como não há inserção sem consciência tomada, as organizações acabam por começar a simplesmente adotar práticas socialmente responsáveis; o que, por definição, não é ter Responsabilidade Social Corporativa.
Uma vez que a RSC se dá quando os agentes econômicos desenvolvem a comunidade/sociedade de forma sustentável, ela só será existente em uma organização quando todas as atividades da gestão tiverem fundadas nos princípios que a regem. Isso significa uma mudança Cultural muito brusca, tendo em vista que o conceito é novo no mercado.
Por isso é importante utilizar do Sensemaking para inserir a Responsabilidade Social nas empresas.
Uma vez que é um grande impacto cultural inserir o conceito dentro da empresa, o Sensemaking poderá criar sentido à importância estratégica e existencial da iniciativa dentro da organização; além de comunicá-la a todos os Stakeholders e agentes envolvidos com a empresa.
Dessa maneira, analisa-se que se a inserção de RS nas empresas é de fato a conscientização e criação de cultura dentro da gestão que permeie e se fundamente no conceito, deve-se utilizar do Sensemaking como ferramenta para criar e dar sentido à inicitiva em qualquer organização, uma vez que somente dessa maneira que haverá a inserção de fato.
Como mudanças culturais têm como pré-disposição iniciativas "top-down" (alta hierarquia estratégica criar sentido ao resto da gestão), o sensemaking traduz a maneira como a inserção de Responsabilidade Social deve ser feito nas empresas de modo a atingir seu principal objetivo: conscientização e difusão.
NOVA CONTRIBUIÇÃO, DATA 09/06/2010, GRUPO 12
O grupo, que é responsável por ÉTICA considerou interessante trazer uma colaboração a um tema tão recorrente atualmente que é a responsabilidade social. Para isso, pesquisamos sobre empresas que tem ações socialmente responsáveis e também lidem bem com questões éticas e selecionamos a FORD como exemplo.
HISTÓRIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DA FORD
O grupo Ford Motor Company, fundado em 1903 por Henry Ford, é constituído hoje pelas empresas Lincoln, Mercury, Mazda, Volvo e Troller, além da marca Ford, sendo uma das maiores montadoras do mundo. Presente no Brasil desde 1920, a Ford é a mais antiga montadora instalada no país. Mais do que produzir veículo de qualidade, a Ford quer ser percebida pelo consumidor como uma empresa socialmente responsável que contribui em todos os aspectos de suas atividades com a melhoria da qualidade de vida e o bem estar da comunidade. Desta forma, a Ford Brasil busca consolidar internamente o conceito de responsabilidade social.
Desde 1992 já existe o comitê de cidadania dos trabalhadores da Ford, destacando-se pelas ações comunitárias. Em 1999, houve a criação de um comitê gerencial, com representação de todas as áreas da companhia, para discutir e ampliar ações de responsabilidade social que aconteciam informalmente na empresa.
A criação desse comitê conseguiu centralizar as informações sobre os programas sociais, além de dar mais formalidade aos trabalhos que viriam a ser realizados. Desta forma, em 2001, a empresa deu um segundo importante passo, a criação da gerência de responsabilidade social, com o intuito das ações continuarem próximas dos funcionários e presentes no dia a dia organizacional.
Juntamente com a criação da gerência, a diretoria da Ford optou por formatar também um conselho de responsabilidade social, instalado em abril de 2001, com o objetivo de orientar a aplicação dos investimentos da empresa no campo social.
Evidencia-se que a gerência percebe uma forte pressão da sociedade para que a empresa assuma novos papéis. Dessa forma percebe-se que os indicadores financeiros não são mais exclusivos para determinar a excelência de uma empresa. Novos fatores como, no caso da Ford, envolvimento social e ambiental, também se tornaram importantes. Vemos então que a Ford Brasil vem efetivando em suas atividades um amplo conjunto de políticas e práticas gerenciais que perpassam por várias operações de negócios de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável tanto da empresa quanto da sociedade.
Algumas dessas ações que expressam o novo paradigma podem se encontradas na certificação dos processos produtivos superando as regulamentações ambientais, reciclagem de materiais de consumo interno, diversidade na contratação de pessoal, transparência na comunicação com a mídia, política de segurança além da legislação e no nível de emissão de poluentes e uso de materiais tóxicos abaixo do permitido pelas leis brasileiras.
A Ford é a única empresa automobilística no Brasil a fazer parte do GHG Protocol (Green House Gas Protocol). O grupo, formado em função do Protocolo de Kyoto, tem como objetivo criar uma forma de inventariar o grau de gases de efeito estufa gerado nos processos produtivos e traçar metas para a sua redução. Um dos objetivos prioritários das fábricas no Brasil é a minimização do consumo de utilidades - água, energia elétrica e gás natural -, área em que tem alcançado sucessivos progressos. Nos últimos quatro anos, a Ford conseguiu reduzir em 10% o consumo de energia elétrica, em 22,5% o consumo de água e em 43% o consumo de gás natural por cada veículo produzido. Ao mesmo tempo, a geração de resíduos em todo o processo ficou 34% menor.
ATUAÇÕES DA FORD NOS ÚLTIMOS ANOS
Recentemente, a empresa ainda mantém sua preocupação ambiental, “a Ford acredita que o desenvolvimento sustentável é essencial à manutenção da atividade industrial”, segundo seu site. No ano de 2009, publicou um relatório ambiental, em que expôs seus feitos em prol da responsabilidade social nesse ano; tais como a adoção do Carbono Neutro na Copa Troller, assim, neste ano, as emissões de carbono foram neutralizadas pelo plantio de árvores no Paraná – esse é o primeiro rali do Brasil a tomar tal atitude; também citamos a construção do reservatório de amortecimento RC1 4a Ford Fábrica, em área fornecida pela própria Ford; além da adoção de nova tecnologia na fábrica de São José dos Campos, com uma nova máquina na área de pintura capaz de eliminar 99% das partículas em suspensão, liberando apenas vapor de água e menos de 1% de gás carbônico. As fábricas no exterior seguem o mesmo modelo de percepção da responsabilidade social como necessária:
Inside the Rouge Planet
Considerando a educação da sociedade, a Ford promoveu um encontro com educadores da MOVA - Movimento de Alfabetização do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC -, para uma apresentação sobre preservação ambiental, além do patrocínio de 25 salas de aula para alfabetizar 350 alunos. Não só no Brasil, iniciativas como essa são expandidas por todo o mundo, como pode ser visto pelo vídeo abaixo:
Ford takes Green to School
Ao se referir ao meio-ambiente, é lembrado, ainda, suas iniciativas de florestamento iniciado este ano, e de reflorestamento, desde 2008. Há, ainda, o Centro de Educação Ambiental, para produzir mudas nativas e ornamentais, que, ligado à educação, ainda promove visitas com intuito de educação ambiental. Há, ainda, no Porto da Ford, Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, o monitoramento da Biota Aquática, analisando os animais lá viventes, além de amostras de água para associar a tais dados. Tais iniciativas também se estendem ao exterior: “Ford is working with the LA County Lifeguards to provide a fleet of customized Hybrid Escape vehicles designed specifically for their needs — helping to make LA area beaches a little greener and some lifesavers very happy”:
The LA Country Lifeguards
Internamente à empresa, foi implantado em 2009, o Sistema de Gestão Ambiental, com documentos estimulando a gestão ambiental, para controle do consumo de água, energia e monitoramento da emissão de resíduos.
No desenvolvimento de seus veículos, ressaltamos o Liquid Wood (madeira líquida), material obtido a partir de resíduos de madeira, que pode ser moldado em diferentes formas e reciclado até cinco vezes, a empresa tem a pretensão de aumentar as fontes renováveis na produção dos veículos. Ou, também, o que chamamos de “Drive Gree. Drive Ford”, explicado e exemplificado pelos vídeos a seguir:
Ford 6-Speed Transmission-Powerfull+Efficient
Ford Fusion 999: How fast can green go
Why would you sit on a soybean?
Is anything greater than zero?
Citamos, ainda, como são inúmeras as iniciativas da Ford, em prol da responsabilidade social, surgiu o programa Greener Miles, “que permitirá aos seus clientes investir em projetos de energia “limpa” para neutralizar o dióxido de carbono que seus próprios carros emitem na atmosfera”.
Podemos referir como iniciativa da Ford, ainda, o Prêmio Ford de Conservação Ambiental, existente há 14 anos, orgulho da empresa, que “elege todo o tipo de iniciativa bem sucedida voltada à preservação do meio ambiente que sirva como modelo inovador e replicável no Brasil”.
Em paralelo a tais atitudes responsáveis da Ford, a empresa teve um faturamento considerável, de R$2,7 bi, o maior desde 2005, indo contra uma história recente de resultados negativos de anos anteriores que vinha comprometendo as montadoras. Fato é que a empresa tem crescido em vendas e em parcela do mercado.
A RELAÇÃO ÉTICA
Como visto acima, um grande número de empresas passou a adotar ações éticas e sustentáveis, isso pode ocorrer em decorrência ou concomitante a mudanças significativas das práticas de compras; desta forma, a demanda movimentaria a oferta. Algumas empresas que dispõe de maior capital disponível conseguem, neste sentido, arcar com maiores custos em investimentos que visem à melhoria e a prevenção de possíveis problemas éticos que possam ocorrer no ambiente em que se inserem, ações muitas vezes previstas em leis; entretanto, tais ações podem prejudicar sua atuação no mercado, privando-a de diversas outras atividades e causando uma defasagem da mesma em relação àquelas que trabalham na ilegalidade.
Guiado por tais ideais de ética e responsabilidade social, empresas do Varejo recentemente se uniram para formar o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) o qual entra numa luta constante para combater a ilegalidade, além de cuidar da conscientização de todos seus associados e colaboradores em relação a ações sociais que possam trazer benefícios à sociedade.
A luta do Instituto, porém, ainda não pôde ser completamente concretizada, visto que muitas de suas aspirações pressupõem ações tributáveis, de modo a desestimular a concorrência ilegal; neste sentido, muitas empresas de pequeno porte não têm como suportar os custos da responsabilidade social sem se prejudicar, o que as leva a manter práticas que ilegais, danosas à sociedade e custosas à população.
Fontes:
Responsabilidade Social e Cultura Organizacional: O caso da Ford no Brasil
Ford – Viva o Novo
Responsabilidade e Cidadania em questão
The Ford History - Green
Carro Verde – Ford Metropolitana:
Ford anuncia programa ambiental “Greener Miles”-Notícias Automotivas
Ford fecha 2009 com lucro de US$ 2,7 bi, primeiro desde 2005 – Folha Online
NOVA CONTRIBUIÇÃO, DATA 11/06/10, GRUPO 13
O Greenwash nas empresas
Conforme visto em classe, e comentado nas contribuições anteriores, o conceito de Responsabilidade Social tem sido amplamente implementado nas empresas, ou, pelo menos, é isso que muitas das organizações querem que seu público pense. Utilizar da imagem ecologicamente correta traz à empresa, certamente, benefícios para sua imagem, porém, a realidade nessas organizações pode ser outra daquela que querem mostrar.O Greenwash é o termo utilizado para tal prática. O termo vem da das palavras green e whitewash em inglês, sendo que a segunda palavra significa uma espécie de tinta de má qualidade e barata que os americanos usam para pintar a fachada das casas. Essa analogia pode dizer muito sobre tal prática; muitas empresas utilizam de argumentos ecologicamente corretos para certos atributos e omitem outras práticas que prejudicam o meio ambiente, além de muitas vezes explorarem a ignorância do consumidor sobre o tema.
O conceito de Greenwash foi muito bem explicado pela reportagem da Época Negócios com o título Verde de Mentira. O artigo trata o conceito do assunto de maneira muito interessante e pode ser acessado pelo link abaixo.
//Época Negócios//
Os 10 piores “Greenwashers” do mundo
Existem grupos na internet que se dedicam a tratar do assunto. A página a ser sugerida a seguir mostra algumas empresas que se mostram contraditórias nos conceitos de Responsabilidade Social. Essa é uma das reportagens do site que contesta as propagandas divulgadas nos meios de comunicação mais tradicionais. O título original da reportagem se chama “Calling ‘em Out: The World’s 10 Worst Greenwashers”.
Para acessar a página, basta entrar no link a seguir:
http://webecoist.com/2009/03/22/greenwash-worlds-worst-greenwashers/
Conforme visto, a página acima mostra alguns exemplos da utilização do termo. A contribuição anterior colocou vários exemplos positivos de Responsabilidade Social da Ford e inclusive coloca um site elaborado pela Ford para sustentar tal idéia, o que realmente pode-se dizer como algo extremamente benéfico para a imagem da marca, porém, existem refutações que dizem respeito à Ford. Dessa forma, vale fazer a citação de um texto publicado em um site sobre tal assunto.
“In an advertisement in National Geographic magazine in 2004, Ford Motor Company tried to convince readers of its commitment to the environment by announcing the launch of the Escape Hybrid SUV and the remodeling its River Rouge factory. One print ad read, "Green vehicles. Cleaner factories. It's the right road for our company, and we're well underway." What Ford failed to tell readers is that it only planned on producing 20,000 of its Hybrid SUVs per year, while continuing to produce almost 80,000 F-series trucks per month. Moreover, just prior to the campaign's release, the Environmental Protection Agency announced that Ford had the worst fleet wide fuel economy of all major automakers. Ford's failure to live up to its environmentally friendly image earned the company first prize among America's //top ten worst greenwashers// of the year.” (Retirado de //http://www.businessethics.ca/greenwashing/// ; acessado em 11 de junho de 2010).
Como conclusão sobre o assunto, vale dizer que empresas que exercem a prática do Greenwash tendem a perder muito de sua reputação no mercado. Ironicamente, embora o objetivo da empresa seja justamente o contrário, os benefícios para a empresa só duram até que descubram o real saldo da empresa para o meio ambiente. Ademais, o fato de enganar os clientes perde muita da credibilidade da marca. Por conseguinte, tal prática não se mostra benéfica para a organização no longo prazo e, quando descoberta, muitos gastos devem ser incorridos para reparar o estrago feito na imagem da empresa.
NOVA CONTRIBUIÇÃO, 11/06/2010, GRUPO 15
Sustentabilidade: tendência sustentável?
A fundamentação da descrença de muitos a respeito do real desejo das organizações serem sustentáveis baseia-se no fato de que muitas ações trabalhadas e praticadas pelas empresas são pouco profundas ou mesmo insustentáveis em longo prazo. O exemplo típico da questão é recente e bastante irônico: a crise financeira abalou estruturas e a sustentabilidade desapareceu das principais questões discutidas. A ironia está no fato de, anteriormente ao fato, o principal tema em pauta era a sustentabilidade, e a causa de toda a crise foi baseada em atitudes e ações pouco sustentáveis que visavam maximizar um resultado no curto prazo – expansão desordenada do crédito a emprestadores arriscados a altas taxas de juros.
Hoje, de que sustentabilidade se precisa? Daquela voltada a atingir consumidores finais balançados por um medo global de catástrofe ambiental? Que fundamentação buscaria uma empresa para lançar de tal estratégia mercadológica? Posicionar seria uma ótima resposta a essa questão. Identificar o perfil de seus consumidores e agir de acordo com sua estratégia global seria a decisão mais sensata dos tomadores de decisão dentro das empresas. De acordo com pesquisas de especialistas em branding, a desconfiança nas empresas é um fator crucial que afeta a decisão de compra e faz uma marca mais forte que outra. A manutenção da confiança do consumidor está altamente atrelada a consistência nas ações e objetivos de uma empresa. Dessa forma, diferenciar-se nem sempre é pelo caminho da moda – sustentabilidade – porque os motores das almejadas receitas crescentes – os consumidores – absorvem inconsistências e isso faz a empresa perder pontos ao invés de ganhar.
Então existiria empresa sustentável? Uma possível esperança está num exemplo brasileiro de sucesso e inovação. A empresa Brasilata, fabricante de produtos metálicos e reconhecida internacionalmente por inovações, manteve-se durante a última crise com desempenho razoável e não se valeu de demissões ou corte custos para equilibrar-se. Pelo contrário. Ela continuou com seus investimentos e as despesas com funcionários foram SUSTENTADAS por um fundo que durante anos acumulou provisões para crises. As concorrentes bastantes "sustentáveis" cortaram custos mercadológicos inúteis - que para elas eram investimentos em sustentabilidade - e fizeram demissões em massa. Ou seja, à imensa maioria superficial, restou a incoerência no discurso.
Ser sustentável é aliar a viabilidade econômica com aspectos sociais e ambientais. Logo, percebe-se que esse conceito é pouco conhecido, uma vez que a associação imediata é com o assistencialismo ou com ambientalistas radicais. Sustentabilidade é, muito mais do que uma tendência como a percebida antes da crise, uma estratégia fortíssima para a empresa que deseja se estabelecer a longo prazo e obter resultados consistentes para seus acionistas.
Bibliografia: palestras presidente da Brasilata, Antonio Teixeira